Conversas de botequim…

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Cheguei um pouco atrasada para encontrar com as minhas meninas – é assim que chamo minhas amigas do coração. Nos cumprimentamos como sempre, dois beijinhos e um abraço para quebrar a formalidade, afinal aquela noite não teria nada de sério, como tantas outras que já tínhamos passado juntas.

É bem verdade que os encontros estavam ficando mais raros com o tempo. Umas mudaram de cidade, outras viajaram pelo mundo, outras estão se matando de estudar teorias e mais teorias nas cadeiras do mestrado de uma determinada universidade pública. O fato é que estávamos ali prontas para  aproveitarmos bem aquela noite.

No meio da conversa, eis que chega um cara que parecia ter saído das revistas e começou a puxar assunto com todas nós. Claro que esses tipos atraem algumas, mas a noite era só nossa e dispensamos aquele carinha rapidinho.

Não sei bem como foi que o assunto surgiu, mas depois de todas falarem sobre suas aventuras amorosas, profissionais e de descobertas de novos mundos, o assunto relacionamento veio à tona. Não tinha como ser diferente, relações afetivas acabam sempre tendo uma boa parte do tempo das conversas entre as pessoas.

Uma delas parou a conversa e disse que ficou com um cara legal mas que ele nem ligou mais pra ela. Para susto de algumas de nós ela soltou a terrível pergunta:

– Por que ele não me quer?

– Como assim? Por que não perguntar “Por que ele não atingiu as minhas expectativas?”

– Assim seria muito mais fácil, não é mesmo?

– A gente acaba gerando expectativas em um relacionamento que nem existe. Afinal, só saíram algumas vezes. E se ele não tiver interesse? Qual o problema? Nem sempre temos interesse em todas as pessoas que ficamos em uma balada ou em outros espaços. Por que com os carinhas que ficamos tem que ser diferente? Por que achar que temos algo de errado?

– Nem sempre rola química, rola a vontade de ver de novo. Qual o problema nisso? Por que temos que achar que o carinha que estamos ficando tem que ser o príncipe encantado?

– Isso! Pra quê ficar perpetuando algo irreal? Não existem nem príncipes e nem princesas, mesmo que existam cultos por aí que preguem esse retrocesso, rs.

– Ah, e ainda tem aqueles caras que temos que aturar um monte de postura machista.

– Aturar pra quê??????

– Se ele não te respeita enquanto mulher, não serve pra você e pra nenhuma de nós. A gente tem que parar com essa coisa de precisar ter um homem ao nosso lado. Antes, temos que aprender a sermos felizes só com nossa companhia.

– Pois é! O outro tem que ser algo além e não um complemento. Somos completas, ouras!

Ah, e onde entra o poliamor ou poliafetividade nessa conversa? Bom, mais pra frente começamos a falar sobre essas regras que são impostas sobre tudo nas nossas vidas. É o jeito que temos que andar, vestir, falar e também nos relacionarmos.

– E sobre relacionamentos abertos? O que vocês acham disso?

– Impossível acontecer comigo! Nunca que eu conseguiria dividir um namorado!

– Eu acho que não é questão de dividir, é questão de estar aberto ao pensamento de que é possível amarmos mais de uma pessoa ao mesmo tempo.

– É uma questão de liberdade. Se eu tô saindo com mais de uma pessoa, isso não muda o que sinto por cada uma delas. Eu amo meu pai, minha mãe, minha irmã… Amo vocês… Por que não seria possível ter relacionamentos afetivos com mais de uma pessoa? Essa história de monogamia é cultural. Acho que é uma questão de desconstruir essa ideia que nos ensinaram à força.

– Nunca! Eu não acho que é possível. Eu quero um relacionamento só eu e ele. Mais ninguém. É muito fácil falar, colocar em prática é que é complicado!

– É verdade… É um processo… é preciso realmente acreditar e querer isso. Eu não condeno a monogamia, só acho que ela não precisa ser o único modelo de afetividade.

– As coisas seriam mais fáceis se não fizéssemos planos. Deixássemos as coisas fluírem, sem nos preocuparmos com o que é certo e errado. Só seguindo nosso coração e espalhando o amor.

Os dois temas correram a noite inteira. Saímos daquele bar com a certeza de que nem tudo precisa ser como nos ensinam, só se eu quiser que seja. E com certeza houve unanimidade em saber que a cada dia, antes de qualquer coisa, precisamos aprender a nos amar sempre mais.

Nos despedimos com abraços mais ternos que os do início da noite e com mais uma certeza: estávamos ali ao lado de irmãs do coração. Poderíamos falar o que quiséssemos sem a preocupação de sermos julgadas. Isso é amizade. Isso é o que prezo e amo.

PS: Esse texto não necessariamente conta um fato verídico. Podem ser vários momentos reais, misturados com ficção. rs

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2 comentários sobre “Conversas de botequim…

    • E eu vou discordar, rsrsrs. Cada um se interessa por alguém por diversos motivos e se eu não quiser ficar com o outro não quer dizer que eu tenha algum problmea. Simplesmente não rolou interesse, hehehehe. Acontece toda hora 😉

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