Jezabel e a liberdade feminina

Essa semana me deparei com mais uma declaração machista da Pastora Sarah Sheeva. Em sua página no facebook, ela conclama os homens a serem menos tímidos e tenham a iniciativa dos relacionamentos, pois esse é um papel masculino. Continua o texto chamando as mulheres que têm iniciativa de Jezabel, apelidando “carinhosamente” de Jeza (mulher que manda em homem).  Podem ver aí abaixo a publicação.

Eu não sou conhecedora da vida de Jezabel, mas no que pesquisei na internet ela era filha de um rei fenício e casou-se, por conveniência, com Acabe, rei de Israel. O grande “erro” dessa mulher pelo que pude constatar é que ela vinha de uma religião politeísta e  casou com um rei cujo deus era Javé. Mesmo após o casamento, Jezabel não desistiu de seus deuses e lutou bravamente para garantir o predomínio da sua crença, chegando a perseguir e matar os profetas de Javé.

O que se pode observar em outros fatos da história dessa mulher é que ela não se curvou aos papéis destinados às mulheres da sua época. Conseguiu ser independente e lutar pelo que julgava ser o correto. E é essa independência aliada à perseguição aos profetas de Javé que, unidos, formam a argumentação de várias igrejas cristãs para utilizar o nome de Jezabel como algo demoníaco, um exemplo que não deve ser seguido.

Nem vou entrar aqui no quesito religioso, pois não é o foco desse post, mas é recorrente vermos várias religiões oprimirem à mulher e demonizarem aquelas que questionam o status quo. Mas voltando ao post da Pastora Sarah Sheeva, fico indignada como ainda está longe a emancipação feminina. Por mais que a luta feminista avance, há uma força hegemônica que vai totalmente contra as lutas das mulheres, colocando-as em papéis de subalternidade.

Mulheres que exercitam livremente sua sexualidade são frequentemente chamadas pela sociedade de vadias, periguetes, cachorras e por aí vão as expressões depreciativas. Mas por que será que nossa liberdade sexual incomoda tanto? Por que será que mulheres independentes são tão depreciadas nessa sociedade?

A liberdade feminina assusta porque rompe com a ideia de “homem salvador”, de “mulher frágil e vulnerável”. Quebra-se com uma relação de poder hegemônica cujo papel de domínio está nas mãos do homem.

Interessante observar que a pouco tempo mulheres assumirem postos de comando e de influência era impossível de se ver. Graças a luta feminista (isso mesmo, aquelas mulheres que alguns adoram chamar de chatas e mal-amadas), nós pudemos começar a exercer nossas liberdades individuais e assumir postos importantes social, econômica e politicamente. Inclusive essa pastora só está nesse posto porque com o passar do tempo, foi-se quebrando a ideia de que só os homens poderiam ter voz dentro das igrejas. Por mais que ela não reconheça, foram as lutas das mulheres que permitiram que mulheres assumissem o posto de pastoras.

infelizmente, mulheres como ela continuam a reproduzir um discurso de subalternidade feminina, reforçando que o “nosso” lugar é de secundariedade nas relações. Eu me pergunto: qual é o problema de nós termos a inciativa? Qual o grande erro em tomar as rédeas da própria vida?

Não há problema ALGUM. Não somos seres frágeis e vulneráveis que precisamos de um príncipe encantado para nos salvar. Continuemos sendo livres, independentes e tomando a iniciativa nos relacionamentos. Ninguém nunca morreu por causa disso e nem vai morrer. PODEMOS SIM ir atrás dos nossos interesses. E se eu estou interessada em um homem ou mulher, tenho mais é que ir lá e falar com ele/a. Ficar esperando que as coisas aconteçam é atitude de gente acomodada e não podemos aceitar esse papel para nós.

Jezebel

Então, conclamo a todas que leram esse texto que deixem de lado a timidez e assumam o controle da vida de vocês. Faz um bem danado! E se nos chamam de Jezabel por isso, que assim seja! Sejamos todas Jezas!

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3 comentários sobre “Jezabel e a liberdade feminina

  1. homem que deixa a mulher mandar é que nem Acabe! Só uma mulher fraca para casar com um homem fraco e só um homem fraco para casar com uma mulher que manda e desmanda nele!

    • Minha filha você é uma séria candidata a tapete de homem, isso se já não é. Mulher não precisa de ninguém mandando nela não, é cidadã autônoma como qualquer homem, depois da maioridade. Relacionamentos entre homem e mulher requer respeito, e não uma tonta subalterna, obedecendo, e um déspota dando ordens. Esse tipo de relacionamento deveria ter morrido no passado há séculos. Porém, infelizmente, subsiste por causa de mentes engessadas como a sua.

  2. Gatinha, o que te faz pensar que, em um relacionamento, alguém precisa mandar?? Existem casamentos igualitarios, sabia?? São duas pessoas, com as mesmas fraquezas, mesmas necessidades e mesmos objetivos. ISSO é um casamento, querida. Só uma mulher imbecil que precisa de um homem que mande nela.

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