Por que não sair da zona de conforto?

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Quase um ano que saí da minha zona de conforto e não me arrependo, apesar de ter trilhado um caminho nada tranquilo. Em março de 2013 recebi a convocação de um concurso que eu havia feito em 2011 enquanto estava sem rumo profissional. Porém, o tempo passou e em 2012 as coisas começaram a se arrumar na minha vida. Tinha emprego, apartamento comprado e tudo ia bem. Mas não tinha como eu recusar uma convocação de um emprego público, não é mesmo? E foi isso que eu fiz. Saí da minha zona de conforto para uma nova cidade e um emprego que estava nos meus sonhos de estudante de comunicação social: trabalhar na TV Brasil. 

A decisão não foi tomada com tanta facilidade. Ao se aproximar da minha convocação o questionamento se eu deveria ir para esse mundo novo estava sempre na minha cabeça. No fim eu vim para o Rio de Janeiro e assumi meu cargo de Produtora executiva na TV Brasil. Até aí, um antigo sonho se realizando… Porém, as coisas não foram tão fáceis. Deixei meus amigos e família que são minha proteção e força de sempre e um (até aquele momento era só um) potencial amor. Além disso, me deparei em uma função que não era o que eu esperava. Nada de produção dinâmica de televisão, mas um trabalho bem burocrático me acompanhou durante esses nove meses em que estou na empresa.

Frustração foi a palavra chave de 2013, você pode pensar. Mas não. A frustração aconteceu, mas serviu para eu entrar em um processo de autoconhecimento que eu nunca teria se permanecesse em Natal, na minha zona de conforto.

Aqui aprendi a me virar sozinha, a me abrir para novas amizades, desconstruindo um pouco mais minha timidez e meus muros de proteção que construí durante anos. Conheci lugares e pessoas incríveis. Novas formas de pensar o mundo e a vida. Histórias que são incríveis e que eu nunca teria acesso e nem vivido se ali tivesse ficado. Me desnudei de muitos preconceitos, de ideias estancadas no tempo. Me desnudei de necessidades de aprovação contínua dos que me rodeia. Fiquei assim, nua de preocupações tolas e que nunca me levavam pra frente e para conhecer melhor o mundo. E nesse processo de mudança interior, percebi que eu quero mesmo é viver fora dessa zona de conforto e me jogar a mundos incertos até descobrir o que realmente eu quero fazer da vida.

Não sei por que tanta gente tem medo de mudar, de recomeçar, de ir para onde o coração manda. É algo tão libertador que todo mundo deveria tentar sair da zona de conforto se ela não satisfaz.

Foi um processo em que senti a necessidade extrema de me sentir livre. Estou voltando para Natal, pedi demissão de um emprego público, nada certinho me aguarda lá na ponta de cima deste país, mas é isso o que quero. Essa incerteza. Essa página em branco para pintar do jeito que eu quiser. Com sonhos antigos que nunca foram postos em prática e com o sentimento de que esse mundo estável, corporativo e certinho ainda não é meu, ainda não faz parte dos meus desejos e talvez nunca faça. Só o tempo e a vida vai mostrar. Até lá, quero ir vivendo meus sonhos e mudar o que me incomoda.

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